Educação emocional é implantada em escola de Santos, no litoral de SP

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Além do conhecimento teórico, a saúde e o bem estar emocional de crianças e adolescentes interferem nas atitudes e no futuro das próximas gerações. Pensando nisso, uma escola de Santos,  no litoral de São Paulo, já incluiu a educação emocional na grade curricular. A ideia é que, desde a primeira fase do Ensino Fundamental, a criança exercite a mente para uma melhor assimilação dos fatos, estimulando a criatividade e vários outros fatores que refletem no rendimento escolar e desenvolvimento da personalidade dos alunos. A instituição aplica uma metodologia baseada na Teoria da Inteligência Multifocal, idealizada pelo escritor e psicoterapeuta Dr. Augusto Cury, conhecido por seus livros sobre educação.

Diretora da escola que implantou a metodologia
(Foto: Mariane Rossi/G1)

O Colégio Ômega foi o primeiro da Baixada Santista a adotar a metodologia. A diretora geral da escola, Marcia Claro, conta que percebeu a importância de trabalhar a parte emocional das crianças, pais e até dos funcionários da unidade. Por isso, foi buscar o método. “Eu tinha o desejo de alcançar uma relação saudável entre todos na escola. Mas via que, às vezes, não conseguia isso e atribuía essa situação à condição emocional das pessoas”, conta Márcia.

No ano passado, ela conheceu o material da Escola da Inteligência, baseado na Teoria da Inteligência Multifocal idealizada pelo escritor e psicoterapeuta Dr. Augusto Cury. A metodologia atua na formação emocional de alunos para a construção de personalidades criativas e seguras. Na prática, os alunos recebem um material didático e, junto com a professora, aprendem a lidar com situações do dia a dia e a serem formadores de opinião, por meio de histórias de fácil assimilação. Os pais e funcionários seguem os mesmos conceitos de relacionamento para continuar o ensino em casa, mudando hábitos e promovendo um ambiente saudável. Eles têm encontros durante o ano para conversar sobre os temas e a metodologia. O material é sempre atualizado e feito de acordo com a idade dos alunos.

Material para a aula de educação emocional
(Foto: Mariane Rossi/G1)

eA Escola da Inteligência já é aplicada há cinco anos no País, para 200 mil alunos em quase 350 escolas brasileiras. Além de criar um ambiente com relacionamentos saudáveis, a intenção das aulas é formar cidadãos que consigam gerenciar e potencializar suas qualidades e resolver as dificuldades. “A escola sempre investiu todos os seus recursos no raciocínio lógico, e a família trabalhava mais os valores, as questões emocionais. Mas um lado não está desassociado do outro, eles coabitam e cointerferem o tempo todo. Se a escola quer um aluno cognitivo intelectualmente, também precisa investir no lado emocional”, diz Camila Cury, psicóloga e diretora pedagógica da Escola da Inteligência.

Uma pesquisa mostrou que 91% dos alunos apresentaram melhorias no desenvolvimento cognitivo, na aprendizagem; e que 92% melhoraram os relacionamentos. Já 93% dos professores enxergam evolução nos aspectos comportamentais e nas atitudes de seus alunos; e 98% das escolas perceberam o aumento da participação da família. Mesmo que a educação emocional já aconteça em algumas escolas, de outra forma, Camila acredita que a metodologia faz a diferença, porque segue um cronograma com temas definidos, envolve os pais e a comunidade escolar.

Márcia conheceu a proposta e resolveu implantar o método na escola. Ela marcou uma reunião com os pais para apresentar a novidade e, segundo ela, todos aprovaram a metodologia. Depois, foi a vez de funcionários e professores. Eles receberam um treinamento e ficaram aptos a trabalhar o conteúdo com as crianças. “Queria que eles levassem o processo a sério e que isso tivesse uma resposta positiva”, explica.  Em 2014, as atividades começaram com os alunos do Ensino Fundamental, com idades entre 7 e 12 anos.

Beatriz lê o livro didático em aula de educação
emocional (Foto: Mariane Rossi/G1)

Já nos primeiros meses, o resultado começou a aparecer, no discurso das crianças. “A gente aprende sobre as atitudes saudáveis e não saudáveis. Não bater nos amigos, não maltratar. Ser o autor da própria história”, diz Beatriz Pinto, de 9 anos. Angela Vitória de Lima, com a mesma idade da amiga, fala sobre o ‘Conto do Rei sem Nome’, onde absorveu alguns ensinamentos. “Aprendi com essa história que temos que pensar antes de falar, e tentar falar na hora certa”, comenta a menina.

A diretora da escola diz que os pais também sentiram a diferença após a implantação da educação emocional. Tudo é relatado nas reuniões. “Uma mãe disse que o filho foi caminhar com ela na praia e perguntou como tinha sido o dia dela, se estava bem e feliz. Uma relação saudável não é unilateral. Essas atitudes mostram que isso também pode ser ensinado. Não é só História, Matemática e Geografia. O aluno pode aprender a adquirir hábitos, a melhorar a relação com as pessoas”, explica. Ela também diz que os professores estão muito satisfeitos e envolvidos na educação emocional, porque isso também provocou a melhora disciplinar dos alunos dentro da sala de aula. “Eles aprovaram e a gente acredita que, assim, a gente possa ter cidadãos melhores nos próximos anos”, conclui Márcia.

Escola em Santos implantou a aula de educação emocional (Foto: Mariane Rossi/G1)

 

Matéria original em: http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/05/educacao-emocional-e-implantada-em-escola-de-santos-no-litoral-de-sp.html

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