Mata Atlântica: o papel da educação na preservação dos biomas brasileiros.

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“Padre José de Anchieta domando uma onça – Tela de Benedito Calixto, 1893 – Pinacoteca do Estado de São Paulo”

O que escreveria Padre Anchieta se desembarcasse no Brasil hoje? A famosa carta de São Vicente escrita pelo religioso no dia 27 de maio de 1560, descrevia beleza e variedade da fauna e da flora da Mata Atlântica, o primeiro bioma brasileiro avistado pelos portugueses. Inspirado nesta data, o dia 27 de maio foi declarado, em setembro de 1999, como o Dia da Mata Atlântica.

Esse dia serve para refletir e conscientizar a população e autoridades sobre a necessidade de preservação desse bioma que ocupava originalmente um total de 15% do território brasileiro – dos quais 87,6% já foram desmatados. Nele vive 72% da população brasileira e é gerado cerca de 70% do PIB do país.

O Brasil conta com mais cinco biomas além da Mata Atlântica: a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal e o Pampa. Sendo a Mata Atlântica, considerada como o bioma mais degradado e ameaçado do Brasil. Em razão disso, é grande a importância de se declarar oficialmente um dia para lembrar de um bioma tão importante. Porém as reflexões devem ser diárias, consistentes e promotoras de ações concretas, e não se resumir a cartazes coloridos pelos corredores escolares em apenas um dia do ano.

Os impactos negativos, causados pelas atividades humanas aos ecossistemas naturais, vão muito além da perda de animais e plantas. As mudanças causadas por esses impactos chegam de maneira prática a nossa vida cotidiana, seja no clima cada vez mais quente, no racionamento de água e energia, no aumento do preço dos alimentos, entre tantos outros.

 A responsabilidade por manter a viabilidade e sustentabilidade da continuação da vida humana na Terra é de todos que nela vivem. Nesse contexto, é de se esperar que a educação exerça um papel fundamental na promoção desta sustentabilidade. É através dela que os indivíduos passam a conhecer o meio em que estão inseridos, e as relações que estabelecem nele, compreendendo seu papel na relação homem-meio ambiente.

Muito mais que cartazes com animais exóticos e plantas coloridas, a escola precisa discutir outros aspectos relacionados aos biomas do nosso país e a sua importância no contexto mundial. A preservação das florestas é um dos principais meios para a redução dos impactos das mudanças climáticas, por exemplo.

No Brasil está situada a maior floresta tropical do mundo, dois hotspots de biodiversidade (Cerrado e Mata Atlântica), a maior bacia hidrográfica (bacia Amazônica), e é considerado o país com a maior biodiversidade da Terra. Só na Mata Atlântica existem 20 mil espécies de plantas, sendo que 08 mil delas só existem nesse bioma. Em contrapartida também é o maior exportador mundial de carvão vegetal, celulose, soja, carne bovina e cana de açúcar. Todas essas atividades estão fortemente relacionadas com as mudanças de uso da terra, desmatamento e alterações climáticas.

Portanto, ao discutir sobre a importância dos biomas, a escola tem a grande responsabilidade, de formar cidadãos conscientes de que suas atitudes diárias por menores que sejam, têm um impacto, seja positivo ou negativo, no ecossistema ao seu redor. Esses biomas nos fornecem água potável, alimentos, energia, clima estável, protege o solo, além, é claro, de nos proporcionar a oportunidade de contemplar toda sua beleza e singularidade.

Se a educação for capaz de cumprir seu papel social, podemos esperar uma próxima geração de cidadãos do mundo, conscientes da sua responsabilidade e construtores de um futuro sustentável. Embora não seja mais possível apreciar o cenário intocado, que Padre Anchieta teve o privilégio de descrever, ainda é possível manter e apreciar toda beleza desse país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

 

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