Pense dentro da caixa

Olá, meu nome é Wladimir, sou professor  de educação física e eu quero falar com você sobre PENSAR DENTRO DA CAIXA.

Sim, é isso mesmo o que você leu: pensar DENTRO DA CAIXA.

Grandes líderes e educadores, conhecidos dentro e fora do Brasil, sempre nos ensinam a respeito da importância e da necessidade de pensar FORA da caixa. Logicamente, entendemos a mensagem que todos querem passar ao ensinar que devemos pensar além do óbvio, ir além da média, ter pensamentos e fazer coisas diferentes acima da linha do comum. Pensar diferente.

Tudo isso é muito importante, é realmente válido e precisa ser aplicado, mas, hoje, eu gostaria que pensássemos além daquilo que costuma ser um fator limitador de criatividade.

Quando pensamos nos professores, principalmente naqueles que atuam na rede pública e em especial, os professores de educação física (como é o meu caso), você verá que pensar DENTRO da caixa é importante e necessário.

Antes de darmos seguimento, gostaria de ressaltar que a CAIXA que estou citando aqui representa as limitações de estrutura física (salas de aula, espaço adequado para determinada atividade, etc), materiais (bolas, cones, equipamentos, etc) e, até mesmo, políticas de ensino (programas ou ações) criadas pelo governo, seja federal, estadual ou municipal. Tudo muito comum na vida e no dia-a-dia de um professor.

É fato que o papel do professor mudou bastante com o passar dos anos e o que antes consistia apenas em passar conteúdo e conhecimento, tomou níveis maiores e mais desafiadores fazendo com que os professores busquem novas formas de ensinar e fazer com que o estudante absorva o conteúdo de maneiras diferentes do convencional.

Como eu disse, sou professor de educação física e por diversas vezes me deparei com falta de materiais para realizar as aulas, bolas furadas, falta de bolas, quadras poliesportivas sem travessão e cestas, e quando tinham, na maioria das vezes não possuíam condições para serem usadas. Essa não é uma realidade exclusiva de uma única escola, pois parte das escolas espalhadas por nosso país carecem de espaços adequados para aulas práticas.

Desde o início da pandemia do coronavírus, os desafios se tornaram outros. Muitos professores se viram “empurrados” a dar aulas de maneira remota, produzir aulas por vídeo, usar de aplicativos para edição, compartilhar aulas por meio das redes sociais, criar aulas mais curtas e objetivas, enfim. São muitos os desafios, mas eles não param por aí, pois após muito tempo de paralisação por causa da pandemia do coronavírus, as aulas voltam ao modo presencial e com alunos que se habituaram  a modalidade online, acostumados com a tecnologia e que possuem perfis diferentes.

Essas são as CAIXAS e é dentro delas que precisamos pensar.

Por exemplo, como dar aula de educação física ou artes, matérias tão práticas, respeitando as regras de distanciamento e mantendo os protocolos de biossegurança?

 

Todos os eventos e circunstâncias são bastante desafiadores. Concorda?

Essa é a realidade de muitas escolas no Brasil. Mesmo com tantas limitações e dificuldades é possível realizar um bom trabalho e fazer a diferença a cada aula, pois limitações são solos férteis para a criatividade. Mas para isso é necessário PENSAR DENTRO DA CAIXA, ou seja, pensar e planejar as aulas levando em consideração os materiais e recursos disponíveis no momento. É nesse cenário que surgirão grandes ideias e as melhores aulas.

 

Mário Sérgio Cortella costuma dizer em suas palestras: 

“Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda.”

É comum pensar “se eu tivesse mais recursos, mais material, mais verba, mais tempo, se não houvesse uma

pandemia mundial, eu poderia fazer mais coisas, organizar melhor as aulas …” mas até mesmo nos lugares onde possuem todos os recursos necessários para isso, também haverão limitadores. Não se iluda.

Então, não devemos pensar nas limitações e no que você gostaria de fazer se tivesse melhores recursos. O melhor é se concentrar em fazer com os recursos que estão disponíveis à você.

Para isso, eu vou te dar algumas dicas:

O Começo

A criatividade sempre flui a partir de um problema, seja ele pequeno ou grande. Sendo assim, não é possível seguir fórmulas ou soluções pré-definidas para problemas diferentes. Então, observe o “problema”, observe os recursos disponíveis e deixe sua criatividade fluir.

 

Os Mitos

Existem alguns mitos que rondam as cabeças de muitas pessoas e que podem impedir com que sejam mais criativos. Murilo Gum, professor de criatividade, costuma citar quatro mitos:

O mito do artista: de que a criatividade é algo exclusivo de artistas, pessoas da área de marketing, da publicidade ou inventores. Não é bem assim.

O mito do dom: de que a criatividade é um dom em que poucas pessoas nascem com ele. Não é bem assim.

O mito da criação: todos acham que a criatividade é criar algo do nada e do zero. Não é bem assim.

O mito do acaso: é o mito de que a criatividade é algo espontâneo, que surge do nada e do acaso. Não é bem assim.

Todos esses são mitos que nos impedem de sermos mais criativos. Na real, todos possuímos um enorme potencial criativo, então devemos deixar de lado todos esses mitos de pensar que criatividade é para um grupo seleto de pessoas especiais. Talvez, o que esteja faltando seja um pouco mais de estímulo.

 

O Olhar

Olhe o mundo com os mesmos olhos dos seus alunos, com a mesma curiosidade, pensando nos seus questionamentos e buscando aprender com isso.

Quem é mais velho vai lembrar de um personagem que foi ídolo de muitos jovens nos anos 80/90. O nome dele? MacGyver (ou Magaiver, no idioma abrasileirado). Basicamente ele era um agente que tinha a missão de solucionar problemas para o governo. Ele não gostava de violência e não usava armas de fogo. Para solucionar seus problemas (que eram bem complexos na sua maioria) ele criava coisas a partir de objetos comuns que estavam à sua volta, em cada missão, então uma das características do personagem era de estar com o olhar sempre atento.

A essa altura você já deve ter percebido o que estou querendo dizer aqui, então vou usar uma frase da série: 

“Então, qual o plano ‘B’? O mesmo de sempre. Improvisar.” 

Aprendamos com MacGyver.

 

O Repertório

Certa vez, Steve Jobs disse:

“Criatividade é a arte de conectar ideias”.

Sendo assim, converse, procure sugestões e compartilhe as suas idéias com professores mais experientes e de áreas diferentes da sua. Sem dúvidas, seu campo de visão vai aumentar e “novas” ideias vão surgir.

Ainda sobre aumentar o repertório, tenho que te dar uma notícia: não existem novas ideias. Toda ideia que surge é com base em ideias que já existiam, a diferença é que usaremos essa nova na resolução de um problema diferente e geralmente fazemos isso inconscientemente. Sendo assim, assista documentários que não costuma assistir; leia livros e revistas de gêneros que você não gosta tanto; e esteja sempre antenado(a), pois algo do seu dia-a-dia pode te levar a ter uma grande ideia para a aplicação de uma aula.

 

Os Padrões

Como todos já sabemos, o mundo está em constante mudança e, com o início da pandemia do coronavírus, a sensação é que demos um salto em diversos aspectos e tivemos que rever a forma com que fazemos as coisas. 

Sendo assim, lidar com mudanças é parte do ser humano e a forma com que ensinamos, por muitas vezes precisará mudar ou se adaptar. Não estou falando contra os padrões que usamos para ensinar, pois os padrões são muito importantes para aprendermos, organizarmos o que foi  aprendido e até a termos acesso a esse conhecimento quando precisarmos. 

Henrique Szklo, no livro “Você é Criativo, Sim Senhor!”, diz:

“Nós precisamos dos padrões para sobreviver. Até porque eles, […] são a matéria-prima da Criatividade.”

 

Porém, ao passo que o mundo, as pessoas, as idéias, informações e a tecnologia mudam, os padrões terão que ser revistos para que alcancem o objetivo quanto a absorção do que será ensinado.

O fato é que a geração atual é diferente da anterior e a futura será dissemelhante da atual, sendo assim, como educadores temos a missão de adaptar o que já é conhecido (padrão) e nos aventurarmos em “novas” formas de construir conhecimento.

 

Para Finalizar…

Meu objetivo, ao escrever esse texto, era abrir uma janela diante de você, educador, pois todos os conhecimentos estão sempre passando por reavaliações e novos direcionamentos. Pensando nisso, precisamos ampliar nossas capacidades, poder de repertório pessoal e inteligência criativa.

Como professores, é necessário abrir caminho para o novo e muitas vezes ao desconhecido mesmo que isso gere desconforto, pois no processo ensino-aprendizagem é necessário estar em crescimento incessante. 

Sendo assim, meu desejo é que você, como educador(a), esteja sempre aprendendo,  buscando se reinventar e olhar pela janela da criatividade com fascínio e amor, pois … 

A criatividade flui a partir daquilo que amamos.

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