TDAH e Aprendizagem

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Dificuldade de prestar atenção na aula, distrair-se facilmente e ficar com a mente vagando pelo “mundo da lua” quando o professor está falando. Estas são algumas características que comumente são atribuídas aos alunos que apresentam o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, conhecido como TDAH.

Medidas simples dentro da sala de aula favorecem a melhoria na aprendizagem, que muitas vezes por falta de conhecimento e informação, não são utilizadas. A sala de aula é o ambiente de contato intenso e diário com a criança e com o adolescente, é neste espaço que o professor encontra a possibilidade de observação nas mais diversas situações.

 

Segundo Funayama (2000), para que aconteça uma aprendizagem adequada é necessário que a criança tenha suas bases neurológicas íntegras. Assim, para se aquilatar o que está interferindo no processo de aprendizagem, deve-se avaliar ponderadamente múltiplos fatores, tais como os de natureza social, biológica, sociológica e psicológica. A partir de Phelan (2005), o TDAH passou a ser compreendido como uma disfunção neurológica, que pode influenciar o aprendizado da criança, devido ao trio base que o compõe: desatenção, impulsividade e, em determinados casos, hiperatividade.

É importante salientar que o dia a dia de uma criança com TDAH é bastante movimentado, no qual são facilmente percebidos distúrbios comportamentais, tais como extrema inquietação, agressividade, dificuldades em aguardar sua vez, desatenção, esquecimentos, impulsividades, facilidades em perder as coisas, não-cumprimento de instruções, dificuldades em realizar tarefas escolares etc.

As crianças com TDAH, na maioria das vezes, consideram a escola como chata porque a instituição possui regras, muitas atividades desinteressantes, dentre outros aspectos, o que, entretanto, não impede que elas tenham um bom desempenho escolar. Para tanto, o conhecimento sobre o TDAH e, principalmente, o afeto do professor são extremamente importantes. De acordo com Hallowell e Ratey (1999), na maior parte dos casos aqueles possuidores desse transtorno querem começar outra atividade sem terminar a anterior, deixando exercícios pela metade, na ansiedade de resolvê-los de uma só vez. Com isso acabam, também, não retendo informações e conteúdos, o que as deixa frustradas no fim do dia, pois elas percebem que não conseguiram acompanhar os demais alunos, mas não compreendem as razões para isso.

 

O sucesso em sala de aula exige uma série de estratégias, tais como aquela em que a maioria das crianças com TDAH permanece em classe normal, com algumas arrumações e adaptações, contando com auxiliares e programas especiais em contra-turno escolar. Assim o professor, para conseguir cumprir sua função mediadora (com os TDAH), deverá ser portador de conhecimentos sobre o transtorno, para que compreenda as dificuldades que a criança pode apresentar e, assim, intervir de modo eficiente em seu aprendizado. Desta maneira, para que a intervenção tenha efeitos positivos, será necessário trabalhar com outros 14 profissionais, numa perspectiva interdisciplinar e coletiva, envolvendo o professor, todo o corpo docente, a criança com TDAH, seus pais/responsáveis e um especialista originário de uma das áreas de saúde, que trate da questão neurológica e, se necessário, do apoio psicológico e psicopedagógico (MATTOS, 2005).

Assim, o professor terá papel fundamental em saber interpretar a aprendizagem do aluno. Outro aspecto importante é que não se deve comparar o aluno com o transtorno com os demais, pois isso pode levar o aluno a não gostar da escola. Segundo Cordeiro (2011), logo que o aluno é diagnosticado com TDAH torna-se fundamental que a escola receba um relatório desse diagnóstico, pois assim a equipe pedagógica e o professor decidirão o que será melhor.

Cruz (2008), em seu estudo, apresenta algumas atividades que trabalham o desenvolvimento da produção escrita e de sua representação ortográfica, com o objetivo de estimular a prática da escrita fluente, rápida e legível; de produzir textos planejados, organizando suas ideias, revisando-as e editando-as. Tudo isso engloba, evidentemente, a elaboração de textos a partir de atividades lúdicas; a escrita de gibis; saladas de histórias; fábrica de contos; textos malucos; histórias lacunadas; história de vida; diário de bordo do tratamento e inspiração em textos de outros autores, ou seja, exigir que o professor não poupe esforços para elaborar atividades diferenciadas. Por outro lado, segundo Phelan (2005), ao se chegar próximo do fim do ano escolar, sugere-se que se realize uma reunião com a equipe pedagógica e os pais/responsáveis, para rever os progressos, os métodos, enfim, tudo que funcionou e o que não deu certo com o aluno portador do transtorno, de modo que se possa planejar para o ano seguinte o que será feito com a criança.

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